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Missão Artística Francesa no Brasil

  • Foto do escritor: Samir
    Samir
  • 3 de mar. de 2021
  • 4 min de leitura

François Gérard: Retrato de Joachim Lebreton, o líder da Missão Francesa.


A vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1808 trouxe para o país diversos avanços e causou enormes mudanças comerciais, muitas construções foram realizadas para que o Brasil fosse digno de receber a corte e se adequasse a nova situação. Na área da educação foram fundadas várias escolas como a Escola de Comércio, a Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, a Academia de Belas Artes, a Academia Real Militar, a Academia Real de Marinha e dois Colégios de Medicina e Cirurgia.


Biblioteca Nacional do Brasil (antiga Biblioteca Real


Na área cultural ainda tivemos avanços, como O Museu Nacional, O Teatro São João, a Biblioteca Real que foi composta com muitos livros trazidos de Portugal e a primeira gráfica brasileira, A Imprensa Régia, onde foram impressos diversos livros e um jornal chamado A Gazeta do Rio de Janeiro. Ainda podemos destacar a fundação do Jardim Botânico e o Observatório Astronômico.


Como o Brasil era pouco desenvolvido artisticamente e os talentos dos artistas barrocos não estavam de acordo com os ideais da coroa, a fundação e organização dos cursos de Arte da Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios ficou sob a responsabilidade de um grupo de artistas vindo da França em 1816, esse episódio ficou conhecido como “Missão Artística Francesa no Brasil”.


Dom João VI


Não existe um consenso geral quanto à chegada dos artistas europeus no Brasil, existem duas versões sobre o fato. Em uma versão, o príncipe Dom João VI havia solicitado ao Marquês de Marialva a contratação de um grupo de artistas franceses para lecionar na escola. Marialva teria entrado em contato com o artista francês Joachim Lebreton e o encarregou de montar uma comitiva para vir ao Brasil. Outros registros históricos apontam que os artistas que vieram na Missão Artística na verdade procuraram o governo português oferecendo seus serviços, pois estavam temerosos com o clima na França após a volta dos Bourbon (família nobre da casa real europeia originária do centro da França) ao poder, em 1815.


A Missão Artística Francesa chegou ao Brasil em 26 de março de 1816, no porto do Rio de Janeiro. Os artistas eram liderados pelo professor Joachim Lebreton, junto dele chegaram os pintores Jean-Baptiste Debret, Nicolas Antoine Taunay, o escultor Auguste-Marie Taunay, o arquiteto Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny e o gravador de medalhas Charles-Simon Pradier.


A Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles.


Os artistas vindos nessa missão tinham em seus planos ensinar aos alunos da academia brasileira os cânones da arte Neoclássica ainda em evidência na Europa. Disseminando assim as ideias desse estilo pelas artes gráficas, arquitetura, desenho, pintura, escultura e literatura, gerando uma série de seguidores e ganhado variações pelo país. Apesar de terem o apoio do governo o grupo de artistas franceses encontrou grandes dificuldades na realização de seu objetivo.


A Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios foi fundada em 12 de agosto de 1816 por D. João VI, mas não chegou a funcionar por causa de uma série de fatores político-sociais, como a resistência dos portugueses à presença dos artistas franceses, a falta de condições do Rio de Janeiro para receber a escola e a falta de interesse da população pela arte. Antes de ser aberta, a Escola de Ciências, Artes e Ofícios passou por dois decretos em 1820, o primeiro a instituiu como Real Academia de Desenho, Pintura e Arquitetura Civil e outro que a anunciava como uma escola de cunho totalmente artístico denominada como Academia e Escola Real.


Academia Imperial de Belas Artes em 1826, Jardim Botânico do Rio de Janeiro.



Academia Imperial de Belas Artes nos dias atuais, Jardim Botânico do Rio de Janeiro.



Com a declaração da Independência do Brasil em 1822 a Academia e Escola Real passou a ser chamada de Academia Imperial de Belas Artes. A instituição foi definitivamente instalada em 5 de novembro de 1826, em edifício próprio à altura da Travessa do Sacramento (atual Avenida Passos), inaugurado por D. Pedro I. Em 1938 o seu edifício histórico foi demolido, tendo sido preservado o portal em granito e mármore, onde se destacam os ornamentos em terracota, de autoria de Zéphyrin Ferrez.



Pintura e Escultura

Quadro Loja de Sapateiro, de Jean-Baptiste Debret



Escultura no Palácio da Justiça na cidade de Recife/PE.


O grupo de artistas franceses que chegou ao Brasil na Missão Francesa era bem diverso, cada um tinha uma determinada especialidade e ficaria responsável pala disseminação dos ideais da arte neoclássica em sua especialidade. O estilo neoclássico, ou acadêmico, como também é conhecido, segue uma série de preceitos que valorizam a composição racional da obra.




Arquitetura

Theatro da Paz


A arquitetura neoclássica brasileira se consolidou após a instauração da Academia Imperial de Belas Artes. A

se desenvolveu em duas versões no Brasil:


Neoclássico oficial: se desenvolveu nos centros maiores do litoral, como Rio de Janeiro, Belém e Recife, que tinham contato direto com a Europa, e que desenvolveram em um nível mais complexo de arte e arquitetura e se integraram nos moldes internacionais da sua época.


Neoclássico Provinciano: simplificado, feito por escravos, exteriorizando nos detalhes as ligações dos proprietários com o poder central.


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