Entenda a Tão Complicada e Polêmica Arte Contemporânea.
- Samir

- 30 de jun. de 2021
- 4 min de leitura
Arte Contemporânea é a arte que vem sendo feita nos nos últimos anos, é a arte produzida agora, nesse instante. Ela só ganhará outra denominação quando algum historiador da Arte, no futuro, for capaz de enxergar no cenário artístico do passado, algumas peculiaridades e entender os seus elementos mais relevantes para categoriza-lo.

Balloon Dog de Jeff Koons
A Arte Contemporânea resulta de uma superação do modernismo do inicio do século XX. Até a Pop Art nas Vanguardas Europeias era a principal referência que o mundo tinha de arte, articulando discursos com teorias filosóficas e cientificas. Entre 1900 a 1950 aconteceram vários movimentos artísticos como Expressionismo, Fauvismo, Cubismo, Futurismo e outros, que tinham o intuito de superar o passado e se posicionar como novo e original.

Kiss V (1964) de Roy Lichtenstein
A Pop Art quebrou o paradigma da Arte Moderna se voltando para o discurso dadaísta da apropriação. Os dadaístas pregavam a ilógica no meio artístico, o uso de objetos cotidianos para fazer obras de arte, conhecidos como ready-made, estabeleciam que a arte poderia ser qualquer coisa que o artista quisesse, pois o conceito de arte não está somente em um objeto artístico, mas sim na mensagem que ele pretende passar ou no questionamento que ele pretende fazer. Os artistas pop de algum modo acabaram com o ciclo de inventividade das vanguardas estabelecendo a cópia, a produção em série de suas obras e o uso de imagens já consagradas pelo mercado e mídias.

Fonte, Marcel Duchamp
A Pop Art deu inicio a um ciclo de mudança na arte que continuou com o Minimalismo que reduziu a participação física do artista na obra e com a Arte Conceitual que transformou o artista em uma obra (Performances). Os antigos padrões de arte estabelecidos pelos modernistas do inicio do século XX que visavam encontrar respostas através da arte se desmancharam entre as décadas de 50 e 70. A arte passou a questionar, indo de encontro com os posicionamentos de Marcel Duchamp (principal artista dadaísta) que acreditava que a arte não deveria ser um meio passivo de oferecer respostas, mas sim um meio ativo de criação de perguntas.
Durante a década de 70 e 80 vários artistas passaram a se apropriar da linguagem de vanguarda para questionar o mundo que se apresentava cada vez mais envolvido pelo capitalismo e pelo consumismo. Esses artistas ficaram conhecidos como Pós-Modernos, pois misturavam conceitos antigos para a criação de algo novo, evidenciando a superação do passado.

Garden (2000) por Romero Britto
O Pós-Modernismo enterra a Arte Moderna com pessimismo e apreensão, com um medo das possibilidades futuras. A Arte Contemporânea foi a arte feita pelos artistas após o pós-modernismo, a partir da segunda metade da década de 1980 até os dias atuais. Esse termo é usado, pois ainda não temos um meio de classifica-la. O processo de nomeação dentro da História da Arte é sempre feito quando observamos do presente um evento significativo no passado. A Arte Contemporânea é um espaço rico para questionamentos acerca da comunicação e da civilização. Podemos pensar as manifestações contemporâneas da arte como fenômeno cultural complexo, na medida em que indicam a possibilidade de atraentes experimentações das diversas formas de comunicação. Os artistas vêm fazendo o uso de materiais pouco convencionais e de mídias como fotografia, vídeo e as chamadas novas tecnologias, que permitem chamar a atenção por possibilitar composições únicas com a técnica e um diálogo inusitado com nossa contemporaneidade. Por meio dessas intervenções, é possível promover uma releitura dos antigos ideais e das práticas sociais ligados à formação do nosso modo de vida na atualidade.

As obras contemporâneas se caracterizam principalmente pela liberdade de atuação do artista, que não tem mais compromissos institucionais que o restrinjam, portanto pode exercer sua criatividade sem se preocupar em imprimir nas suas obras um determinado cunho religioso ou político. A arte contemporânea não se preocupa simplesmente com a beleza estética, muitas vezes ela busca o escarnio para criar questionamentos mais profundos em um público cada vez mais acostumado com cenas de violência providenciadas pela mídia. Um exemplo de artista que não busca agradar o olhar estético superficial é Damien Hirst, que usa animais mortos e cria esculturas que questionam a presença constante da morte na nossa sociedade e como nos relacionamos com ela.

Tubarão-tigre por Damien Hirst
As performances, happenings e instalações são amplamente usados pelos artistas contemporâneos, assim como os demais meios tradicionais como pinturas e esculturas. Instalações são obras de arte que interagem diretamente no espaço onde são colocadas, recriando o ambiente ou o modo como o público interage com ele. As instalações são como se fossem “lugares artísticos”, a maior parte delas permite que você entre nelas, ocupando salas, praças, ruas, etc. Uma artista contemporânea que tem muito destaque internacional pelas suas instalações é Yayoi Kussama. As instalações de Yayoi pretendem refletir o estado psicológico da artista que tem esquizofrenia, para isso ela cria instalações fantásticas, coloridas e multissensoriais que confundem o público com luzes, espelhos e milhões de pontinhos coloridos.

Trabalho de Yayoi Kussama
No campo contemporâneo a abertura de discursos e materiais leva a arte a se misturar cada vez mais com a própria vida. Isso se apresenta como um complicador, pois muitas vezes os questionamentos contidos em uma obra passam desapercebidos pelo espectador comum, que acaba não entendendo sua função, encarando-a como inútil. Muito se debate sobre esse problema, mas ele sempre foi frequente na arte, os Impressionistas em sua época não eram bem vistos pelo público que não compreendia seus “borrões”, assim como vários artistas de vanguarda que só obtiveram sucesso após a sua morte. A aproximação da arte com o cotidiano das pessoas a torna complicada, mas através de exemplos históricos vemos que esse estranhamento é necessário para o desenvolvimento crítico da época e possibilita a abertura de portas para o futuro.
Um Giro na Arte Contemporânea.
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